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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Tartaruga de manchas vermelhas na lista das 100 piores espécies invasoras do mundo

Visto que esta é a centésima publicação aqui no blog, aproveito a coincidência para fazer um pouco de serviço público e escrever sobre o facto da tartaruga de manchas vermelhas (Trachemys scripta elegans) estar na lista das cem espécies invasoras mais prejudiciais do mundo, lista que consagra coisas tão diferentes como mamíferos, aves, peixes, insectos, fungos, árvores ou plantas.



Mas a questão da disseminação desta tartaruga a nível mundial tem um só culpado, o suspeito do costume, o Homem. Esta tartaruga é natural do Mississipi Estados Unidos da América, mas hoje em dia pode ser encontrada na natureza na América do Sul, Austrália e toda a Europa graças à sua criação em massa e consequente exportação para todo o mundo como animal de estimação.

Apesar de há mais de uma década esta espécie ter sido proibida de ser comercializada em Portugal, pelo Decreto-Lei n.º 565/99 de 21 de dezembro de 1999 - mas muitas continuam a ser libertadas na natureza, porque as tartarugas crescem rápido e rapidamente os donos se aperceberam que uma tartaruga não é o animal de estimação ideal para se ter em casa, e como não as podem manter, por ignorância, pensando que estariam a dar uma vida melhor ao seu animal, abandonaram-mas na natureza, saindo pior a emenda que o soneto. - Porquê? Porque estas tartarugas adaptam-se muito facilmente, são muito vorazes, e espalharam-se um pouco por todo o país, e foram também ocupar os já poucos habitats das duas espécies nativas que se encontram por si já ameaçadas. As exóticas crescem muito mais em tamanho, e sendo mais vorazes irão concorrer diretamente com as nativas por alimento e espaço além de lhes poderem ainda transmitir doenças.

Com o intuito de tentar erradicar as espécies exóticas e proteger as espécies nativas foi criado um projeto com a duração de três anos financiado pela União Europeia, o programa Life-Trachemys. Dos objetivos do projeto fazem também parte reproduzir em cativeiro as espécies autóctones e libertá-las depois nos seus habitats naturais para reforçar as populações já existentes.

E foi precisamente há uma semana atrás, no dia 12 de junho de 2013, que foram libertados quarenta cágados-de-caparaça-estriada (Emys orbicularis)  no Algarve com esse intuito, de reforçar as poucas populações existentes. Para se ter uma ideia de quão grave é a situação, foi dito que estes quarenta juvenis iriam reforçar em 30% as tartarugas existentes nos habitats onde foram libertadas.

A notícia foi difundida em diversos órgãos de comunicação social, mas pode por exemplo ser vista uma reportagem aqui.
Deixo aqui também a reportagem que saiu no mesmo dia, no Diário de Notícias. Só um detalhe, a fotografia que foi colocada no artigo não se trata de uma Emys orbicularis, mas sim de uma Mauremys leprosa, a outra espécie autóctone que existe em Portugal e que também ela está ameaçada.

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